segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Redescobrindo a serra gaúcha 1ª parte

Sem a pretensão de ser um conquistador e nem mesmo um colonizador, resolvi desbravar (junto com minha excelentíssima) o interior da serra gaúcha. Na cidade de Gramado, tão badalada pelos seus restaurantes e lojas (para turistas "estrangeiros" do nosso Brasil grande de Deus), decidimos pegar uma estrada sem rumo certo. A única certeza era a de que estaríamos indo para o lado contrário do centro (e dos turistas). Saímos em uma rua asfaltada, próxima ao pórtico (quem chega/sai) da avenida das hortências, e descemos, descemos, descemos...e descemos. Sempre fazendo curvas e mais curvas sinuosas pelo bairro desconhecido. Não demorou muito para que avistássemos o início do chão batido. E aí a Sil já começou a cantarolar "Chão batido de saibro vermelho..." lembrando da música do Marenco. É impressionante como a paisagem na serra muda em pouquíssimos metros. Logo estávamos sentindo o cheiro de mato e o silêncio, que apenas era quebrado pelo motor do carro e pelo barulho dos pneus no cascalho da estrada. Uns cinco quilometros após pegarmos a estrada de terra, tivemos uma visão daquelas que merecem que o carro seja encostado para que a imagem fique gravada na retina. Era uma propriedade rural, mas que chamava a atenção por dois detalhes: As casas com telhado verde e as pedras empilhadas. Assim que paramos a Sil já saiu "sacando chapa", ou no bom português fazendo umas fotos. Imagina se uma arquiteta que trabalhou com telhado verde e ama a natureza ia ficar dentro do carro. Resolvemos entrar e para conhecer o local e pedir permisso para que registrássemos as imagens. Passamos pela entrada e nada de uma viva alma. Passamos pela casa principal e nada de um vivente aparecer. Passamos ao lado do galpão e vimos uma porta aberta, mas não havia ninguém. Confesso que eu já estava com receio daquilo tudo (pedra empilhada, casa com telhado de mato...), bah deve ser uma daquelas seitas tipo do Jim Jones. Sei lá..."Yo no creo en las brujas, pero que las hay, las hay...". Quando passamos o galpão, vi quatro indivíduos vestidos de macacão branco...e pensei "morro, mas morro peleando"!!!!
Que nada. Bota gente bacana. Receosos como todo bom interiorano quando um forasteiro invade as suas terras. Quando explicamos o porque estávamos ali e que achamos tudo muito caprichado e bonito, eles nos deixaram à vontade para explorarmos a chácara e registrar o momento. Andamos pela propriedade e registramos muitas imagens do local. Nos despedimos agradecendo a hospitalidade, mas não antes de perguntar o que eles produziam na propriedade e, é claro, o por que das pedras empilhadas. Eles nos disseram que produziam cogumelos (não , não os de chá) tipo champignon e mostraram como embalavam o fungo em feno úmido para que ele se desenvolvesse. Quanto às pedras, que incrivelmente estavam empilhadas apenas no ponto de equilíbrio, eles brincaram dizendo que enquanto descansam carregam pedras. Na verdade o proprietário falou que aquilo havia começado como uma brincadeira e que se tornara um hoby. Quando pegamos a estrada novamente em direção à colônia, percebemos que em toda a propriedade que passávamos havia pedra empilhada. Inclusive no meio do campo e das árvores. Achamos aquilo meio obsessivo. Na volta, passamos mais uma vez na propriedade para perguntar se ele autorizava que eu mostrasse publicamente as fotos e saber se ele havia empilhado as pedras nos vizinhos. Ele sorriu e disse que era claro que autorizava e que aquelas pedras que vimos, foram empilhadas pelos vizinhos que gostaram da sua arte e reproduziram em suas propriedades.
O nome deste artista (sim porque o que ele faz é uma arte) é Marcos Rossato e a sua propriedade está localizada na Estrada Geral da Linha Ávila, na cidade de Gramado. Lindeiro a sua propriedade existe uma pousada (que não conheci, ainda) chamada Fioreze, que parece ser bem interessante. Quem sabe vai ser minha próxima passada por aquelas paragens...
E continua...

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Bóia forte pra passar o inverno

Dias atrás, postei no twitter que estava fazendo uma bóia de engraxar o bigode. Gosto muito de estar em frente a fogão. Eu e minha noiva gostamos muito de cozinhar para a família e também para os nossos amigos. É verdade que as receitas dela são bem mais elaboradas do que as minhas, mas isso não quer dizer que eu não goste de uma comida mais elaborada no seu preparo. Na verdade, a bóia campeira me chama mais a atenção e por isso vou postar o que cozinhei no sábado passado: Um carreteiro de charque de ovelha.
Antes, vou escrever sobre a procedência deste charque. Ele me foi regalado pelo meu irmão de coração o médico veterinário Juliano Hoffelder. Um de seus campeiros da fazenda Figueira da Ilha, desossou uma ovelha inteira e fez o charque. Depois de alguns dias secando, dividimos em quatro pedaços e os enrolamos para assim terminar o processo. Este pedaço que me tocou pega todo o quarto (traseiro) e parte das costelas. Depois de enrolado foi para dentro de um saco plástico e depois para a geladeira por mais 15 dias, assim o charque curou e não secou.
A foto ao lado mostra como ficou a avelha desossada, salgada e enrolada.
Carreteiro é carreteiro, ou seja, sem frescura. Tá certo...um ou outro tempero mais elaborado tem seu lugar na panela. Para fazer este carreteiro eu usei duas cebolas pequenas, três dentes de alho, adobo, pimenta do reino, alecrim e tomilho. Como acompanhamento uma salada verde temperada com vinagre de vinho tinto (feito em casa). Abaixo segue uma sequência de como ficou o preparo:


Será que ficou bom???
Abraços fraternos e até mais...

sexta-feira, 23 de julho de 2010

A Eléctrica e os Discos Gaúcho

Que bela surpresa me foi regalada neste último dia 22 de Julho. Ganhei um livro que remonta a história fonográfica do Rio Grande do Sul (e demais estados da federação) e também dos países platinos. Falo do livro A Eléctrica e os Discos Gaúcho, de autoria de Hardy Vedana (1928-2009), idealizador do Museu da Imagem e do Som de Porto Alegre (Mispa). A gravadora e fábrica de discos A Eléctrica, que teve o início das suas atividades funcionou em Porto Alegre no nascer do século 20, mais precisamente em 1913, gravando diversos tipos de artistas e ritmos. Indo da valsa à chacarera e do Tango à Habanera. Para que os amigos tenham ideia do pioneirismo da marca, esta era uma das quatro fábricas em todo o mundo.
Entre os muitos nomes que encontrei no livro, encontrei um bem conhecido. Nada mais que Carlos Gardel, que na época fazia dupla com Razzano. Mas teve um nome que me chamou a atenção, pois me fez lembrar de dois grandes artistas do nosso estado: Pirisca Grecco e o João Antonio de Greco Netto, o Tukano Netto. O nome que me chamou a atenção foi o de Vicente Greco (quer saber mais?), um bandoneonista argentino que viveu entre o final do século 19 e início do 20. Comprovando que os nossos artistas uruguaianenses carregam a musicalidade dos seus ancestrais .
Bueno. Para fechar a porteira, digo aos amigos que este livro é acompanhado por três CDs com as gravações originais. O final de semana já está programado: um bom vinho, um queijo e copa (pois vai estar de renguear cusco) para acompanhar estas obras que descrevi aqui no blog.

Um grande e fraterno abraço.

sábado, 17 de julho de 2010

IMAGENS...

Gosto de fotos. Acredito que nunca existirá uma imagem igual a outra... Por isso digo que são expressões únicas, onde cada um que observa terá um sentimento diferente dos demais.
Vou dividir com os amigos algumas fotos tiradas por este Rio Grande de Deus...espero que gostem.


Todas as imagens são da minha autoria ou da minha noiva.

Ao lado vais encontrar um link atualizado com algumas das nossas fotos.
Saludos a todos.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Musica com cheiro de pasto




Garimpando pela net, encontrei este vídeo que trás dois dos maiores instrumentistas do folclore latino que eu já conheci. Sou fã incondicional do trabalho deles. Don Lúcio Yanel no violão crioulo e Gilberto Monteiro na gaita "botonera". Quem já teve a oportunidade de escutá-los ao vivo, e eu graças a Deus tive, sabe do que estou falando. Estes expoentes da música folclórica latino americana, sabem como colocar a alma na ponta dos seus dedos, e assim transmitir todo o sentimento para quem os escuta. Outra bela suspresa foi ver o Marenco no início da sua carreira, interpretando e guitarreando (coisa rara). Sempre gostei do sentimento que ele coloca nas suas interpretações, embora eu ache que de uns anos para cá ele, e outros, tem se repetido excessivamente, mas isso é um tema para outro post. O que não posso, é deixar de enaltecer a importância que estes nomes tem para a música e a cultura do nosso estado. O Luiz Marenco, por exemplo, foi um dos responsáveis pela redescoberta da música de raiz, com cheiro de campo, e pela reativação de alguns festivais que, cada vez mais, revelam novos e grandiosos talentos da musicalidade pampeana. Por tudo isso, temos que agradecer a alguns homens que não mais se encontram entre nós, ao menos fisicamente. Gracias Don Jayme e Don Noel Guarany pelo legado que deixaram para a nossa cultura.

Toda boa semente, dá bons frutos.


Luciano Macedo

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Enquanto isso na reunião...

Certo dia em um mundo muito fictício, um Psicólogo Evangélico (E) e um Parapsicólogo (P), depois de muita pressão política de seus sectos, foram escolhidos para a Comissão Científica de algum fictício CRP (Conselho Regional de Psicologia). O outro membro era um comportamentalista (C).

Na primeira reunião, em meio à série de pautas estava a questão da velha terminologia da histeria e sua possível ou impossível atualidade. Diante dos comentários de um caso de histeria clássica, o comportamentalista começou:

C: De fato esse termo teve uma utilidade muito grande no passado, inteiramente operacional na época de Freud, mas…

E (interrompendo): Obviamente como comportamentalista você há de convir que Freud estava errado, não é mesmo?

C: Não propriamente errado, mas diante da evolução do behaviorismo, das neurociências, das ciências cognitivas e dos avanços da psicossomát…

E (interrompendo novamente): Sim, existe toda a questão comportamental!

C: Em termos gerais com certeza, e…

E (interrompendo de novo): A questão de que o comportamento no caso em questão é demoníaco.

P e C: Comportamento demoníaco?

E: Claro que sim, vocês têm alguma dúvida?

P: Ora, isso no ekssiste! Tudo é uma criação da psiquê humana

E: Psiquê humana influenciada pelo dem…

P: A psiquê humana tem capacidades infinictas! E é uma pena que a psicologia nunca viu isso. Sem contar essa visão de "demônios" dos religiossos… Freud estava errado sim, porque não viu o infinito poder do inconsciente. Vokcês sabiam que podemos comprovar eksperimentalmente poderes paranormais?

E e C: Experimentalmente?

P: Sim, diversos eksperimentos apontam altos índices ekstatísticos de significância, por exemplo em eksperimentos de telepatia, clarividência e pre-cognição. Inclusive alguns experimentos de psicocinésia possuem ressultados estatísticos muito convincentes.

E: Isso não é nada, também comprovamos experimentalmente a existência de demônios.

P e C: Como assim?

E: Em nossa igreja são inúmeros os testemunhos.

P: Ok, mas são testemunhos falhos, pois a ciência parapsicológica explica a inexistência de demônios

C: Gente, não é preciso ir com um pouco mais de cautel…?

E: Isso porque vocês nunca viram um exorcismo. Nossos pastores já realizaram vários. Mas é natural vocês duvidarem. Nós unimos a psicologia de Deus com a psicologia do homem. A psicologia do homem é limitada e falha como o homem. Paulo mesmo já dizia que "Onde está o erudito? Onde está o questionador desta era? Acaso não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?". A sabedoria humana é limitada e parcial - sem a psicologia de Deus, revelada por nós, não é nada.

P: Isso no ekssiste! Pode-se acreditar em Deus, mas é tudo uma questão dos poderes ekstraordinários do Inconsciente!

E: Olha aí ó, sua dúvida apenas corrobora sua limitação.

P: Limitação? Veja os resultados ekstatísticos, a energia psíquica, o ectoplasma e o poder do Inconsci…

E: Novamente, a psicologia do homem é ignorante e limitada, se não garantida por nossa igreja

P: E você acha que nossa parapsicologia, que explica muito bem sua falsa crença, é limitada?

Os ânimos esquentam e P e E começam a discutir até os berros. Quando tudo foge do controle, C sai da sala e retorna com dois copos d´água, enquanto os secretários apartam a briga. Depois os ânimos se acalmam e o Comportamentalista pergunta:

- Vai uma balinha aí?

(Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência)

Achei no blog : www.catatau.blogsome.com

terça-feira, 22 de junho de 2010

Abrindo porteira





Noite fria de inverno.

É neste ambiente, que favorece um mate quente, que começo a escrever sobre algumas das coisas que gosto: cultura gaúcha, psicologia e culinária. Penso que os três assuntos se entrelaçam e se completam. Não necessariamente nesta mesma ordem. Até me arrisco a dizer que um não existe sem que o outro esteja presente. O interessante é que se possa analisar, pelo viés da psicologia, o quanto as questões culturais e alimentares influenciam, mesmo que inconsciente, o funcionamento do ser humano e as suas relações.

Espero que gostem...


Luciano Macedo